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A importância do carinho familiar.


Estamos vivendo um momento muito especial nestas festas de fim de ano. E neste clima, temos a possibilidade de resgatar o respeito entre os familiares.


Já faz muito tempo que as relações familiares são tratadas de maneira caricata, onde as relações são dirigidas pela tônica do sarcasmo e desrespeito aos membros. Aquela velha fórmula dos filmes americanos, com um humor ácido, onde sempre tem o irmão idiota, o tio sem noção e a sogra megera, para citar apenas alguns. Identificados pela e na família estes passam a ser alvo constante. Caricaturas que oprimem sem dar a vitima a opção de defesa, por se tratar de um comportamento, às vezes, também velado. Mas que estabelece uma poderosa energia no ambiente e une todos os algozes em uma harmonia momentânea, forte e encorajadora para disparar gargalhadas coletivas. Esta cena pode parecer feliz, afinal, produz uma família sorridente. Um conjunto.

Porém, a que preço para quem fica na berlinda? Que tipo de medo e angústia esta atitude produz?


Desqualificar um membro do núcleo mais íntimo da família no convívio direto não acrescenta em nada o autocuidado, à saúde mental, a capacidade de construção, criativa e crescimento dos participantes desta família.


Muito pelo contrário, salientar atitudes, manias e hábitos considerados estranhos ou mesmo anormais e criar uma marca para desrespeitar o ente "querido" e escolhido, só cria um distanciamento e desconfiança. Talvez possa até parecer engraçado momentaneamente, talvez possa até tirar algumas gargalhadas imediatas, mas na construção da autoestima geral em nada apoia, nem liberta, tampouco encoraja para a vida.


Observo muito este comportamento em famílias que eu convivo como mentora. Sempre tem este desafio para o empreendedor que quer criar produtos novos ou mesmo abrir a empresa. A família está tão acostumada a ver todos os seus membros configurados na hierarquia como empregados que só o fato de alguém ousar empreender já cria piadas prontas, do tipo: "nossa, olha ela! Tah se achando", "olha ele querendo ser o sabidão".


Vejo neste mesmo sentido, profissionais renomados em seu ambiente de trabalho, como preparadores físicos, nutricionista, professores, músicos, filósofos sendo livremente desrespeitados em todos os natais, reuniões de aniversário e festas familiares. Pelo simples fato de reproduzir o hábito de desqualificar quem está perto, com quem se tem teoricamente intimidade. E o fato de ser tão próximo não deveria ser exatamente o ponto para se criar elos de admiração e respeito?


Talvez nossa composição histórica na formação de núcleo familiar ainda esteja muito presente. O brasileiro em seu processo de colonização criou o costume de valorizar o europeu. E paralelamente desqualificar tanto pessoas quanto produtos próximos, os chamados de artesanal, feito em casa, geralmente feitos por descendentes de africanos e indígenas. Talvez para reproduzir uma postura marcada pela desvalorização das senzalas.

Depois no processo de industrialização também tivemos um chamado atraso, em relação a países como os Estados Unidos da América, para citar apenas um. Onde consolidamos a ideia de que o feito fora, o produto importado é mais valioso.

Será que é por isso, também, que temos a tendência em desvalorizar quem está perto de nós?


Porque este traço de "piada jocosa" com os talentos que temos dentro de casa?


Podemos construir o mundo que quisermos com os recursos que temos disponíveis na atualidade. A oferta de aparelhos tecnológicos para realizar nossa comunicação é diversa, acessível e potente. Tudo vai depender de nossa capacidade de expressar o melhor de nós, principalmente com aqueles que estão pertinho e podem ser as nossas melhores companhias.

Cuidar é sempre um ato de amor.

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