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Os Negócios na Economia Criativa

Atualizado: 25 de out. de 2023

Afinal — O que é Economia Criativa? Uma pergunta frequente nas rodas de conversas quando o assunto é empreender. Vamos buscar neste texto, o processo histórico e ações praticas que surgiram com o propósito de entender e mapear as questões econômicas advindas dos intangíveis.


Ilustração: Sandra Mara Selleste
Ilustração: Sandra Mara Selleste

O que é Economia Criativa?


Uma pergunta frequente nas rodas de conversas quando o assunto é empreender. Afinal das economias consideradas "Novas Economias", a Criativa é a mais comentada até agora e provavelmente a que está a mais tempo sendo estudada.


A ideia conforme está sendo aplicada hoje, surgiu na década de 80 na Austrália e Reino Unido, até onde temos informações documentadas por pesquisadores. O pensamento era criar valor com os ativos intangíveis que movimentam recurso financeiro e crescimento econômico em várias partes do mundo e ficam invisíveis nas métricas tradicionais.


Na economia tradicional geramos riquezas a partir de recursos tangíveis como terra, ouro e petróleo. Na Economia Criativa essa riqueza é gerada a partir de recursos intangíveis como cultura, criatividade, reconhecimento e experiências" - Lala Deheinzelin.

E por se tratarem de intangíveis e terem suas especialidades ligadas a percepção do usuário é que as métricas tradicionais se mostram ineficientes em afirmar o valor monetário de um produto criativo. E, como medir criatividade? Talvez os autores da verdadeira revolução criativa possam ser chamados de empreendedores criadores ou artistas, mas jamais poderão ser encaixados em uma formatação industrial. Em 1994 no documento Creative Nation, o australiano Paul Keating apresentou o conceito como estratégica macroeconômica pela primeira vez para um governo. E no Reino Unido, em 1999 tivemos o primeiro mapa das indústrias criativas. Os treze setores identificados foram: Artesanato / Arquitetura / Artes Cênicas / Artes e antiguidades / Cinema / Design / Editorial / Moda / Musica / Publicidade / Software / Software interativo de lazer (vídeo games) / Televisão e rádio Desde então muitas são as tentativas de classificar empresas e trabalhadores dentro de uma definição "logica" para os criativos. Estudos e autores começaram um linha de raciocínio através das bases de entrada no mercado formal existentes, por exemplo, gerar dados estatísticos através das pesquisas sobre os códigos ou atividades econômicas organizadas na Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAES e por Classificação Brasileira de Ocupações — CBO. De qualquer forma a leitura dos dados de registro formais de trabalhadores e empresas, não se mostram eficazes na obtenção da totalidade, por não incluir exatamente o que, provavelmente seja a maior fatia das atividades criativas, o mercado informal. Então é preciso criar cruzamentos dos dados para termos um panorama aproximado. O que vemos é que muito além da questão estatística ainda temos que avançar nas questões conceituais. Uma visão interessante é que, considerando que todos os setores contidos no mapa citado acima são das industrias criativas, logo, todos os trabalhadores envolvidos nestas industrias são trabalhadores que estão dentro do recorte setorial, que optam por ser criativos com atividades fora do contexto considerado tradicional. Outro recorte é o ocupacional, que são os criativos dentro dos setores das industrias com classificação clássica de industria. Em tese as que não estão na lista acima. Concomitantemente fatores mercadologias foram acontecendo, a evolução da tecnologia, queda do emprego formal em alguns países, o empreendedorismo por necessidade ou mesmo por oportunidades incentivado pela ideia de inovação, todos este fatores fizeram que o empreendedorismo criativo tivesse um crescimento superior aos demais setores da economia. E, empresas com uma "gestão mais artística" foram ganhando mais consumidores e se tornando lideres de crescimento.


Ilustração: Sandra Mara Selleste.
Ilustração: Sandra Mara Selleste.

As leis

As mudanças sociais foram criando uma pressão nas formas de gestão até então vigentes. Tanto dentro da estrutura de Recursos Humanos nas empresas, como nas relações de Governos Federal, Estadual, Municipal. Aqui no Brasil, em 2007 finalmente uma alteração importante na Lei viabilizou a formalização de muitos empreendedores que não tinham condições de arcar com os custos básicos de uma empresa. A possibilidade de ter para a atividade profissional a inclusão de um CNPJ ( Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), trouxe muitos para a ideia vigente de profissionalismo, gerando uma grande onda de novos empreendedores no Brasil.

LEI Nº 11.598, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2007


Estabelece diretrizes e procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, cria a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios — REDESIM; altera a Lei no 8.934, de 18 de novembro de 1994; revoga dispositivos do Decreto-Lei no 1.715, de 22 de novembro de 1979, e das Leis nos 7.711, de 22 de dezembro de 1988, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.212, de 24 de julho de 1991, e 8.906, de 4 de julho de 1994; e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1o Esta Lei estabelece normas gerais de simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e pessoas jurídicas no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Em 2010 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), trouxe, entre outras analises, conceitos para a industria criativa e cultural. A busca foi elencar quais empresas atreladas às suas atividades principais são veículos de mensagens simbólicas e seus produtos servem para algum propósito maior. Qual a importância de cada segmento no eixo das suas atividades? O turismo, por exemplo, como se relaciona com movimentos sociais locais e o empreendedorismo a partir da simbologia contida em elementos culturais.


Economia Criativa como estratégia para empresas

Certas vezes vemos a economia criativa apenas como um setor, que vem se desenvolvendo a cada ano nesse período de transição, em que somente determinadas empresas que pertencem a esse setor ligado a criatividade têm as oportunidades de crescimento. Sim, também! Porém, a Economia Criativa é para todos! Desde empreendimentos que estão começando, até empresas que já estão estabelecidas no mercado de diversos segmentos e querem continuar vivas no futuro, se tornando uma estratégia para negócios. Mas, como?


A Economia Criativa se define a partir da utilização de recursos intangíveis para gerar valor econômico, como: conhecimento, histórias, marca, reconhecimento, patrimônios imateriais, entre outros, que se utilizados de forma criativa pelas empresas fazem com que elas se destaquem e apresentem maior valor agregado a seu produto ou serviço. Dessa forma, a empresa pode atingir nichos de mercado que valorizem ainda mais, que além de consumir ainda indicam, e viram clientes fieis da marca.


Já temos casos que a Economia Criativa também aparece no que refere-se a processos, e toda empresa é constituída através de processo. Desde a compra de insumos até a entrega ao cliente, desde o atendimento até a conclusão do negócio, desde a prospecção através da comunicação por redes sociais até "pós venda", o que o cliente vive depois que da entrega do produto ou serviço. Tudo passa a ser uma experiência no consumo. Dessa forma, como se pode inovar em algum ponto desses processos para que o valor da experiência seja maior e melhor para os usuários do produto ou serviço.


A Economia Criativa passa a ser uma ferramenta, em que as várias facetas dessa ferramenta pode ser utilizada desde empreendimentos ligados a beleza até a construção. O caminho é descobrir quais são os atributos que podem ser utilizados como diferencial, qual ponto do processo pode ser inovado e acima de tudo como isso pode ser comunicado para chegar ao nicho de clientes e sua demanda.



Agradecimentos: Polânia Sôares, Dina Cardoso e a rede Fluxonomia 4D

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