top of page

A Economia do Cuidado - O que o Empreendedorismo Social, a NR-1 e a ISO 45001 têm em comum?

28 de set.
8 min de leitura

Diálogos sobre...


O Tecido da Sustentabilidade Humana na Economia Criativa


Grandes transformações sociais e empresariais nascem do encontro entre o afeto, a estrutura e o cuidado. Recentemente, compartilhei um momento com nossas parceiras, Isabel Dreyfuss (Atelier do Sentir) e Débora (Filosofiar), a celebração dos 30 anos da Associação Arcanjo Gabriel (AAG). Sob nova gestão e impulsionada por um coletivo de voluntários, a instituição caminha para reabrir sua tradicional oficina-escola, trazendo de volta a arte, a música e os fios que tecem novas possibilidades. Olhar para esse movimento da AAG nos convida a uma reflexão sob o "Jeito Selleste" de ver o mundo. Como garantir que projetos com propósitos tão nobres e empresas de todos os tamanhos cresçam de forma saudável e sustentável? A resposta está em alinhar a paixão social à gestão dos riscos psicossociais. Para nós, o empreendedorismo social é um dos modelos mais potentes de negócios do futuro, pois ele gera lucro social, cultural e econômico simultaneamente. Mas, para que esse impacto seja duradouro, a estrutura precisa ser profissional. Sempre com este olhar, quero partilhar uma história, como nos conta a Isabel em depoimento abaixo



A Realidade dos Riscos Psicossociais no Campo


Da Paixão ao Dreno, acompanhe o relato de Isabel


"Tem histórias que nos movem sem que isso tenha uma justificativa ou explicação, e foi assim minha experiência na Associação Arcanjo Gabriel - AAG, onde pisei pela primeira vez in 2017. Estava recém chegada na região, e frequentar esse espaço me proporcionou conhecer muitas pessoas e uma forma particular de comunidade que me atraía e estimulava. Através desses contatos, consegui trabalho, fiz amigos, criei e vendi meus próprios produtos artesanais, e esse sentido de comunidade me motivou a desejar participar mais ativamente.

Muito antes da minha chegada, desde 1996 a Associação desenvolvia suas Oficinas de Terapia Social, criadas com objetivo de atender a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social. A Associação também realizava seus eventos, festas, feiras, concertos, como estratégia para ativar a comunidade e captar recursos para continuidade. A equipe da Oficina estava ali diariamente, sempre presente com as artes e os fundamentos filosóficos antroposóficos, que envolvem espiritualidade, terapia, educação e desenvolvimento humano. Na mesma época, tive contato com Lala Deheinzelin¹, Futurista, que falava para quem queria “viver do que se gosta e ter com quem fazer junto”. A formação da Fluxonomia 4D, sua metodologia, em par com o grupo de trabalho da Arcanjo Gabriel, representava a possibilidade de criar um trabalho que fizesse sentido pra mim! Essas experiências me serviram para encontrar sentido e recriar minha forma de trabalhar, pois eu havia passado por um período de “desconstrução” nesse campo, e ao mesmo tempo na rede da Fluxonomia, encontrei Sandra Mara Selleste e a Débora Casapê, que são parcerias que fazem sentido para o trabalho e para a vida, até hoje!

Foi através do mapeamento 4D, proposto pela Fluxonomia, que fui conectando meu propósito com a vivência na AAG. Então, percebi que “Cuidado” e “Arte” eram a minha “liga” com eles. Minha habilidade de sentir, cuidar e criar experiências usando arte e sensorialidade, podem servir de estratégia para sustentar o fluxo da comunidade. Meu primeiro protótipo de empreendedora, o projeto Cuidando dos Cuidadores na AAG, surgiu no momento em que intensifiquei minha presença ali, e minha percepção da necessidade de cuidado dos profissionais que ativa ali, era o que me saltava aos olhos e não podia ignorar.

Em algum momento no processo, depois de tentar colaborar e propor diversas ações, sem sucesso, comecei a me sentir drenada na experiência, o que resultou em me afastar. Hoje entendo que foi isso o que me fez tomar aquela decisão, mas naquele momento foi algo muito intuitivo. Simplesmente senti que precisava me dedicar mais a outras atividades. Foi um exercício natural de sentir, e também naturalmente, a seguir surgiram outros projetos e novas oportunidades fora dali."



A Quem Você Está Entregando o Seu Tempo?

Nos pergunta Débora da Filosofiar.

O Tempo do coletivo é como extensão de nossas almas. Para além da pergunta “que horas preciso estar lá?”, existe vida. E ela nos ensina que o tempo é mais do que uma sequência de horas e minutos. Há um tempo que se mede pela presença, pela atenção e pela energia que oferecemos, afinal, tudo aquilo a que dedicamos tempo recebe uma parte da nossa própria existência.Por que nos dedicamos às causas que escolhemos nos unir? Qual o sentido em pensar a importância do todo em nossa vida? Por que me sinto pertencente a esse grupo? Quais as batalhas? Qual a entrega? O que tenho e posso?Num cenário em que ouvimos constantemente o tal “não tenho tempo”, uma pergunta curiosa emerge: você está dando tempo a quem? A quem importa trocar o seu tempo? Nesse momento, retomar as perguntas acima pode ganhar ainda mais sentido. A possibilidades de troca se multiplicam quando o encontro acontece. Seja entre duas pessoas ou em um coletivo, cada presença traz consigo experiências, saberes e sensibilidades que não apenas se somam, mas se transformam no contato. Quando essas potências se encontram, o possível se reorganiza, e surgem caminhos que dificilmente seriam construídos de forma isolada.A ideia de investir parte da própria vida em algo que continuará existindo para além do indivíduo revela uma consciência da não separatividade. Quando encontramos um grupo com valores, sonhos ou inquietações semelhantes, algo se reconhece. Há uma sensação de retorno, como se uma parte dispersa de nós encontrasse abrigo. E é nesse espaço de encontro, reconhecimento e atravessamento que algo começa a se formar, como um processo vivo que se constrói na relação.Uma das maiores potências do coletivo é sua capacidade de produzir sentido. Mas esse sentido não nasce pronto, nem existe antes do encontro. Ele vai sendo tecido na convivência, nas conversas, nas divergências e nos acordos possíveis. Construir algo em comum exige tempo para escutar, dialogar, discordar e elaborar. Nem sempre as decisões são simples, e é justamente no atrito entre diferentes perspectivas que novos sentidos podem emergir.O coletivo nos ensina que significado não nasce da pressa, mas da disposição de permanecer em relação. E permanecer, em um tempo marcado pela velocidade e pela fragmentação, exige escuta, presença e cuidado. São essas qualidades que transformam o tempo compartilhado em experiência vivida. Por isso, um encontro transformador, uma conversa significativa ou uma ação comunitária podem produzir mais sentido do que certos dias em que somos atravessados pela automatização da rotina.O coletivo também carrega seus paradoxos. Quando dedicamos tempo a uma causa comum, aparentemente "perdemos" horas que poderiam ser destinadas aos interesses pessoais. Mas é nesse espaço compartilhado que o tempo ganha outra densidade e parece se expandir.Talvez o tempo do coletivo seja mesmo uma extensão de nossas almas, porque ele guarda algo que o relógio não mede. Guarda sonhos compartilhados, memórias construídas em comum, afetos que atravessam pessoas e gerações ao escolher uma causa, um grupo ou uma comunidade, estamos revelando o que merece receber nossa vida e dedicação do nosso tempo.

O Retorno Através da Força do Coletivo, nas palavras de Isabel


"Cerca de 5 anos depois, eu me reencontro com esse projeto, já numa fase bastante diferente, de um esvaziamento quase total de recursos, e algo me move , decido me aproximar novamente, voluntariamente. Muitas ideias, sonhos, cafés e madrugadas depois, e pouco mais de 2 anos, hoje faço parte do Coletivo que assumiu, em Março de 2026, a nova diretoria da Associação Beneficente Arcanjo Gabriel - ABAG. Nossa gestão terá três anos para desenvolver o plano de trabalho, composto por muitos sonhos e também por desafios, temos potencial e limites. Sobre estar ali como voluntária, digo que há algo que me move, que é a possibilidade de ver florescer, além de desenvolver meu trabalho através de trocas justas. Existe algo que nos move como coletivo, e é tão difícil definir o que é… Mas hoje, após a realização do primeiro evento deste coletivo, a tradicional Festa Julina em comemoração dos 30 anos de Fundação da Associação, em 25/07/2026, a melhor definição seria o sentido de pertencer a algo, esse que vai muito além do meu desejo, mas onde o meu desejo também importa e faz mover. E como está escrito na frase "tudo o que move é sagrado" que pertence à canção "Amor de Índio", composta por Beto Guedes e Ronaldo Bastos. “tudo o que move é Sagrado”, e o que move por muitos, por todos, faz convergir e é sempre muito mais potente, do que só um pequeno ego. Seguimos juntos, que pode ser muito melhor do que sós… Provavelmente não é mais fácil, embora muitas vezes seja mais gostoso e recompensador, ou melhor, RecompensAmor."



Uma Visão Técnica-

Como a NR-1 e a ISO 45001 Protegem o Empreendedor Social

No dia a dia das empresas e do ecossistema empreendedor, falar de saúde mental não é mais um diferencial subjetivo; é uma obrigação técnica e estratégica. Legislações modernas como a NR-1 que trata o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e diretrizes internacionais como a ISO 45001 abordando o Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional, deixam claro que os riscos psicossociais, geram o Burnout. E, precisam ser mapeados e prevenidos com o mesmo rigor que os riscos físicos.


Essas normas trazem a base técnica que o mercado precisa. Elas provam que uma organização do trabalho desequilibrada, a sobrecarga e a falta de suporte destroem o ativo mais valioso de qualquer negócio que são as pessoas. O Tecido da Sustentabilidade Humana, para por entender o que a NR-1, a ISO 45001 e o Empreendedorismo Social têm em comum. Logo chegamos ao que acredito ser O Jeito Selleste de Sustentar Negócios de Impacto:


  • Prevenir riscos psicossociais cumpre exigências legais e protege a reputação do negócio.

  • Assim como os fios que tecem as oficinas da AAG, as relações humanas na sua empresa precisam de pontos firmes e sustentação para não arrebentarem.

  • Empresas e associações que aplicam os princípios da NR-1 no cotidiano criam ambientes seguros onde a criatividade e a produtividade florescem sem adoecer.


Porém, o desafio do Terceiro Setor, contempla também abarcar como lidar com o trabalho voluntário. Quando olhamos para o caso da Associação Arcanjo Gabriel, vemos um coletivo trabalhando intensamente nos bastidores para reestruturar o espaço. Aqui reside um ponto crítico de análise, o trabalho voluntário e o ecossistema do Terceiro Setor são movidos por paixão e propósito. No entanto, o propósito não blinda o ser humano do cansaço. Pelo contrário, por estarem profundamente engajados emocionalmente, voluntários e empreendedores sociais frequentemente negligenciam seus próprios limites, tornando-se alvos fáceis. Se você também acredita que lapidar o uso das Normas Técnicas é um caminho para melhorarmos o ambiente de trabalho, Seja um Fio Nessa Rede


Convidamos você a fazer parte desse movimento. Seja um fio nessa rede!

Cadastre-se para receber nossa Newsletter ou entre em contato pelo Whatsapp da Selleste 55 61 98123-4529


Conheça Nossas Parceiras Convidadas


Este artigo foi construído a muitas mãos, tecendo os fios da experiência prática, da filosofia e da estratégia de negócios. Conheça as profissionais que colaboraram com esta reflexão:


  • Isabel Dreyffuss: Fundadora do Atelier do Sentir, terapeuta, empreendedora e especialista em criar experiências sensoriais através da arte e do cuidado. Atualmente, integra a nova diretoria e o Coletivo gestor da Associação Beneficente Arcanjo Gabriel (ABAG).

    Contato/Instagram: @atelierdosentir


  • Débora Casapê: Idealizadora da Filosofiar, consultora e pesquisadora dedicada a traduzir conceitos filosóficos para o cotidiano das relações humanas, do tempo vivo e das potências coletivas. Contato/Instagram: @filoso.fiar

¹ Lala Deheinzelin é futurista e uma das principais pioneiras em Economia Criativa e Colaborativa no mundo, sendo reconhecida internacionalmente como uma das 100 mulheres que estão cocriando o futuro colaborativo. É a criadora da Fluxonomia 4D, uma metodologia de gestão estratégica que combina Estudos de Futuro com Novas Economias (Criativa, Compartilhada, Colaborativa e Multimoedas) para viabilizar projetos sustentáveis através de uma visão integrada das dimensões cultural, ambiental, social e financeira. Suas ferramentas e consultorias já apoiaram desde pequenos empreendedores até grandes corporações, governos locais e agências da Organização das Nações Unidas (ONU) em quatro continentes.


 
 
 

Comentários


Não perca

as

novidades

Assine a nossa newsletter

Online: Para todo o Brasil

Hubs de Atendimento Presencial:

  • Vitória e todo o Espírito Santo

  • Viçosa e região (MG)

  • Brasília e região (DF)

Para uma conversa inicial:

whatsApp: (61) 98123-4529

Para agendamentos e propostas:

empreendercom@selleste.com.br

Redes sociais

  • Whatsapp
  • LinkedIn
  • Instagram
  • Facebook
bottom of page